quinta-feira, 7 de abril de 2016

(os acontecimentos narrados são mera obra de ficção. Qualquer relação com a sua realidade é sinal que você se ferrou amorosamente falando. Obrigada. Beijas.)
"Carta de despedida à alguém que nunca vai ler...
Imaginar que em meio aos minutos que inundam o meu dia, não haverá mais aquela voz rouca fazendo com que eu me perca do relógio e esqueça meus compromissos... Afinal, nada era tão bom quanto ouvir o que aquelas suas palavras tinham a dizer, e além de tudo, ainda vinham da boca sua.
Pensar em um futuro próximo ou longínquo, sem o seu cheiro por perto me fazendo dispersar... Estas serão as minhas jaulas, as quais terei que aprender a fugir.
"Amor? É como quando você vê a névoa de manhã,
quando você acorda antes do sol nascer.
É como um breve instante que depois desaparece.
Apenas isso, o amor é uma névoa que queima com a primeira luz de realidade."
Bukowski já dizia...
Ninguém me contou como seria difícil. Ninguém ensina ou prepara para saber como lidar com o coração partido. Não há métodos. Cada um que sofra o tanto que tenha que sofrer até sarar...
Hoje eu não sou mais o mesmo. Tornei-me aquele o qual eu dizia pra você jamais querer ser. Acontece que em algum momento da epopeia que foi (lê-se 'é') amar você, senti falta de alguma coisa. E quando percebi que era do ingrediente principal, recuei. Não se ama sem amor. Estranho, não é? Não lhe peço que me compreenda e sim me entenda. Amor não é no singular. A embalagem é única, mas a porção é para dois. Então o que eu ainda faço aqui remoendo as últimas páginas daquela que poderia ser a nossa história? Talvez eu esteja procurando onde escrevi algo errado, onde as sentenças não coincidiram. Talvez eu tenha escrito tudo demasiadamente rápido para os personagens principais. Não sei...
É inútil revisar tudo isso. O fato é que a nossa história não se tornou um Best Sellers e o único que sobrou para lê-la, fui eu.
Agora estou aqui folheando o que sobrou desse final sem graça. Quem sabe ainda tenha uma lauda pra um epílogo de ultima hora? Quem sabe ... Os sentimentos são tão efêmeros quanto as páginas deste nosso livro e assim como eles, estas folhas irão se esvair com o tempo. Tempo. Comecei esta carta me lembrando o quanto era bom o tempo em que nos pertencíamos sem formalidades. E foi amor, viu? Quando te vi, quando te toquei a boca com a minha, quando te quis na minha cama, foi amor. Mesmo quando nossas personalidades foram mais fortes, mesmo quando pseudoestesia, era amor. Seu hálito de café de manhãzinha, seu cabelo bagunçado, o barulho de pés descalços quando você acordava primeiro que eu, ah como era amor. Não se preocupe porque não tentarei convencer-te de coisa alguma, com quem deves ou não escrever suas novas páginas daqui pra frente. Só queria mesmo pedir que guardasse as lembranças boas e que as encontrasse quando sentir saudades. Porque eu sei, que mesmo que negue, que queira seguir outros rumos, que se recuse a dizer que era especial o tempo em que dividíamos aquele seu colchão, mesmo que diga que tudo que houve pereceu, eu sei e você sabe, que até quando disse não ter sido, foi o mais real e sincero amor. E só por isso, apenas por isso, resolvi escrever para que a nossa última linha desta narrativa mal acabada, tenha um digno final.
Foi bom estar entre as páginas da sua história. Contudo, eu quero que meu próximo romance seja escrito baseado em fatos reais...
Com todo o amor que foi e poderia ter sido,
Eu."
Leticia Coimbra


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