domingo, 22 de maio de 2016

Lembranças

Aqui estou, mais um dia, sozinha nesse quarto, lembrando de você. Toda a noite a mesma coisa, tento me conformar, mas a saudade é tanta que não tem como.
Fico imaginando como você está, onde você está. Fico olhando as suas fotos, ouvindo suas músicas.  Pois tenho medo de esquecer seu sorriso, seus olhos.
Lembro do nosso primeiro encontro, ou melhor, como te conheci... 
Era uma manhã de Inverno. Eu tinha acabado de sair de uma entrevista de emprego, e por azar, não havia levado guarda-chuva. Entrei toda molhada naquela lanchonete, sacudindo os braços e passando a mão na calça.
Você estava atrás do balcão. Falou alguma coisa para a moça que estava do seu lado, deu a volta e veio em minha direção.
“Toma moça”- você tira sua camisa que estava por cima da camiseta e me estende ao perceber que minha blusa estava molhada. Eu olho sem entender a sua atitude.
Você me dá um sorriso. O sorriso mais lindo que eu vi em toda a minha vida. Naquele momento, meu mundo para. E uma coisa na qual nunca acreditei, aconteceu comigo – “ amor à primeira vista.”
“Toma ou você vai fica resfriada. Ali Atrás tem um banheiro, pode se trocar lá”- você diz olhando com um olhar de garoto brincalhão.
Pego a camisa e vou até o banheiro. Volto 15 minutos depois, me sento em frente ao balcão onde você está passando um pano pela bancada.
“Tome, e cortesia da casa”- você me da uma xícara com chocolate quente.
“Obrigada”- digo pegando a xícara e tocando com as pontas dos dedos os dedos seus.
Mais  uma vez, você me sorri.
“Amanhã eu trago sua camisa”- falo tomando um gole do chocolate.
“Não se preocupe, do lugar que essa veio existem várias outras. E eu sei que você vai trazer sim, você gostou de mim.”
Quando eu ouvi essas palavras, quase engasguei, meu coração parou, acho que nem pisca eu piscava, devo ter ficado vermelha igual pimentão.
“Calma moça! Tô só brincando. Onde no mundo uma moça tão bonita como você ia se interessar por um balconista de quinta  categória que nem eu ?! E outra, você deve ter namorado.”
“Engano seu”- coloco a xícara no balcão e abro minha bolsa para pegar a carteira.
“ Não, já disse, cortesia da casa”- você fica sério –“Desculpe, tá moça. Eu estava só brincando. Eu sou um palhço, não quero te deixa frustrada. E não precisa trazer a camisa se não quise, foi só um favor”- me diz olhando nos meus olhos.
Eu me levanto.
“Vou trazer sim. E você está completamente errado com relação a eu não querer conhecer um balconista de quinta categória. Pode ser que você tenha muito mais a oferecer do que você imagina. E obrigada pelo chocolate”- eu digo lhe dando um sorriso. E dessa vez, quem fica vermelho e você.
Depois daquele dia, tudo mudou.Você passou a ser meu mundo.
Lembro do nosso primeiro encontro, onde você me levou numa festa dos anos 80. No meio da pista, ao som de Johnny Rivers, você me beija,  aquilo foi mágico, por um momento, me senti uma adolescente de novo.
Lembro também da nossa primeira vez. Tinhamos combinado de sair  você passaria no meu trabalho e de lá iriamos ao cinema. Mas quando faltava meia hora aproximadamene, você liga cancelando, pedi mil perdões; pois havia acontecido um pequeno imprevisto. Seu irmão sofreu um acidente e você foi quem  socorreu. Eu respondo:” tudo bem”. Podemos marcar para a próxima semana. Arrumo minhas coisas e vou para casa.
Ao chegar no meu apartamento, ouço um som bem baixinho vindo do meu quarto, jogo a bolsa no sofá e vou atélá, no corredor aparecem pétalas, começo a achar estranho, ao abrir a porta, me deparo com a luz apagada e várias velas de diversas cores e aromas espalhadas pelo chão.
E no meio da minha cama , está você sentado, com uma camisa branca aberta e um violão na mão cantando:
“Do you wanna dance
Tell me that I’m your man
Baby, do you wanna dance?
Do you wanna dance under the moonlight?
Squeeze and kiss me all through the night
Baby, do you wanna dance?
Eu abro um sorriso, sem acreditar, você se  levanta . Se aproxima de mim e me beija como só você sabe.
Me leva pra cama. Beija meu pescoço, tira minha roupa lentamente.Me deita me acariciando. Percorre meu corpo com os lábios. Me faz  ter sensações que jamais tinha tido antes. Me faz mulher.
Fazemos um amor selvagem. Nossos corpos se transformando  em um só, transpirando de desejo, paixão, loucura...
E sem espera, gozamos os dois juntos. E nessa hora, você me diz pela primeira vez: “ eu te amo”.
Aquela noite foi uma das  mais linda de toda a miha vida. Mas , infelizmrente, também existem lembranças amargas. E essa é a pior de todas, a que tirou você de mim.
Quem diria que aquele passeio seria o fim.
Era uma manhã de Primavera. Resolvemos fazer um piquenique. Você, com sempre, sorridente e brincalhão.Me chamou de “ pequena”, e disse que me amaria para o resto da vida.
Entramos no carro, e decidimos ir a um parque que  ficava do outro lado da cidade. Para isso, tinhamos que pegar  a estrada.
Você ligou o rádio. Nisso , tocava AC/DC:
“ I’’m on the highway to hell
On the highway to hell
Asking nothing, leave me be
Taking everyting in my stride...
Aquela música parecia um presságio. Você cantava  alegremrente sem tirar os olhos da estrada. Mas mesmo assim...
Um carro desgovernado que vinha na contramão, bate com uma violência enorme em nós. Você tenta desvia, mas não consegue. Parecia surreal, coisa de filme.
Nosso carro primeiro desliza em círculo no asfalto para logo em seguinda capota, dá uma, duas, três, quatro voltas e para com os pneus para cima.
Você fica consciente, grita meu nome e pedi pra mim não fechar os olhos.
De longe se ouve uma sirene. Em questão de segundos, os bombeiros, policía e ambulância chegam.
Você implora para tirarem eu primeiro, porque estou sangrando muito. Os paramedicos tentam te acalmar, dizendo que vão fazer isso.
Eu ouço você dizer pela última vez: “ eu te amo”.
E assim que sou retirada e imobilizada, ouço um dos bombeiros gritar: “ corre, vai explodir!”
E antes que eu possa dizer alguma coisa, perco a consciência.
Essa cena ficou gravada em mim. Essa dor me invade a cada dia que passa me torturando. Me enlouquecendo.
De pensa que não  pude me despedir...
De pensa que não pude dizer  Adeus...
Agora só me resta a saudade e as lembranças. E minha vida é assim...
De dia fingo ser forte e a noite me sento na janela a comtemplar a Lua e chorar por um amor que veio por acaso, que quem trouxe foi a chuva e quem me levou foi o sol...

( Elisangela Domingos da silva)




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