domingo, 12 de junho de 2016



12/06
Hoje, o telefone não vai tocar. Você não vai me ligar. Não vou ouvir sua voz.
Hoje, já faz um ano que você saiu pela aquela porta, e não voltou. E não vai voltar...
Foi uma briga sem motivo. Foi uma briga sem sentido. Gritos. Coisas jogadas no chão. Palavras ditas da boca para fora, mas que naquela hora, doeu mais que qualquer tapa na cara.
Chorei. Te ofendi. Você tentou explicar, mas eu não deixei. Você desistiu, e com lágrimas nos olhos, você me disse adeus.
"Vai, vai. Não quero te ver mais. Espero que nunca mais volte!"- gritei da porta da sala, sem pensar nas palavras.
Com um olhar de tristeza, você me disse ainda, antes de bater a porta. "eu te amo, pena que você não acredita."
Da janela do apartamento, eu vi você ainda olhar para cima, e abaixar a cabeça. Desviei o olhar, e quando olhei de novo, você virava a esquina.
Passou alguns minutos, e secando as lágrimas, fui até o banheiro. Tomei um banho demorado. Depois, enrolada na toalha, fui para o quarto e sentei na cama. Foi quando a ficha caiu. As lágrimas voltaram. Chorei compulsivamente. Já era madrugada, quando já não tinha mais lágrimas para serem derramadas. A cabeça doía, e para passar a maldita dor, abri a gaveta do criado-mudo e peguei alguns comprimidos e tomei. Ali, eu apaguei...
****
Hoje, fazem exatamente um ano que eu apaguei e nunca mais acordei. Tomei a dosagem errada. Meu coração parou de bater. Agora, sou uma alma atormentada, presa nesse apartamento, abandonado.
Sei que você vai no cemitério me levar flores. Mas, eu queria mesmo, era ouvir sua voz, e também queria dizer, que me arrependo das palavras que disse, e o quando eu te amo e preciso de você.
Lisa

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