Ela retribuia o sorriso. Colocava sua bolsa de lado, pegava seu livro e começava a ler ou escrever no seu caderno, observando as pessoas ao redor.
Conhecia, praticamente, todos que frequentavam ali. Com alguns, ás vezes trocava uma palavra. Com outros, apenas um cumprimento de cabeça. Essa era sua rotina, até aquele dia...
Era uma manhã qualquer. Ela estava sentada, dessa vez, apenas com um caderno, observando o movimento, quando, de repente, aparece um rapaz, do qual, nunca tinha visto antes.
Ele usava uma calça jeans, camisa branca e uma mochila nas costas. Ela não teria reparado nele, se não fosse ele ter esbarrado em outro rapaz, e ter derrubado a pasta que esse carregava. Ele abaixa-se para pegar, e ao levantar-se, seus olhos se cruzam.
"Que olhos!"
Ficaram encarando-se por alguns segundos. Ele lhe dá um sorriso. Ela abaixa a cabeça, sem graça, mas logo, levanta de novo para ver onde ele iria se sentar.
Ele foi até o outro lado, jogou sua mochila num dos bancos, e sentou-se de frente para a mesa onde ela estava. Olhou-a novamente, depois, abaixou a cabeça e abriu a mochila, tirando um livro de dentro.
Ela observa seus movimentos. Pega seu caderno e um lápis, e cameça a rabiscar um esboço, de longe, daquele rapaz.
"Olha pra mim... olha pra mim"- ele dizia, em pensamentos, e parece, que por telepatia, ele levanta a cabeça, fechando o livro e a olha.
O garçom aproxima-se da mesa dele. Ele faz seu pedido e diz algo mais fazendo um movimento de cabeça em direção a mesa dela. O garçom vira-se para olhar, dá um sorriso, e concorda com a cabeça.
Então, ele pega um guardanapo, escreve umas palavras, e entrega ao garçom. E sem esperar seu pedido, pega sua mochila e sai dando um sorriso para ela.
O graçom vai até a mesa dela e entrega o guardanapo e sai. Nele estava escrito: " ME olha de novo."
E la dá um sorriso e guarda o papel dentro do caderno, onde havia desenhado o rosto dele.
Na manhã seguinte, ao chegar na cafeteria, lá estava ele, sentado em uma das mesas do lado de fora, e sua mochila no banco. Em cima da mesa, um livro aberto.
Ela senta-se, abre o caderno e volta a desenhar o rosto dele.
Já ele, percebe que está sendo observado. Fecha o livro e fica olhando por um momento na direção dela. Pega sua mochila, levanta-se e vai até a mesa dela.
"Posso me sentar aqui?"
Com um susto, ela fecha o caderno e olha para ele. Ele parece divertir-se com a reação dela.
"Desculpe, não queria te assustar."
" Não... não assustou... só estava distraida... Pode senta."- ela diz, tirando sua bolsa do banco.
"Você estava me desenhando?"
"Co... como você ... perai..."- ela começa a ficar vermelha.
Ele lhe dá um sorriso, pega em seu queixo e faz ela olhar em seus olhos, e diz.
"Me olha de novo."
E sem ela esperar, ele se inclina sobre a mesa e lhe dá um beijo.
Depois sussurra em seu ouvido: "não foge de mim... me olha de novo... vem ser minha."
Ela afasta-se um pouco e fica encarando ele.
"Como assim? Nem te conheço."
"Pois eu sim. Faz tempo que ti observo.Você que nunca reparou em mim, porque sempre estou lá dentro, sentado, longe dos olhares. Só que eu não aguentei mais... eu preciso que você me olhe..."- ele aproxima-se de novo e lhe dá outro beijo.
Ela se deixa levar. Aquele beijo, ardente... urgente... desejado... imagens começam a formar-se em sua mente.
Os dois em um quarto. Ele a beijando loucamente, a envolvendo em seus braços. Fazendo seus corações pulsarem. Sua boca passando por sua garganta, a enfraquecendo. Suas mãos a acariciando. Seus corpos envolvendo-se numa dança de desejo e paixão, transpirando de prazer...
"Para." - ela diz, afastando-se um pouco e encarando ele novamente, encarando aqueles olhos que poderiam ser sua perdição.
"Você não quer que eu pare... Você pode dizer uma coisa, mas seus olhos dizem outra... Fica comigo... Deixa eu fazer o que está imaginando..."
Surpresa, ela levanta-se, derrubando a cadeira. Ele também levanta-se e pega a mão dela, puxando-a para si.
"Não foge de mim."
Sem pensar, ela o envolve pelo pescoço. E dessa vez, ela que o beija. Primeiro, um selinho. Depois, ela passa a lingua pelo seus lábios, mordendo eles. Agora, o beija como se nunca tivesse beijado ninguém. Com fervor, desejo.
Os dois esquecem que estão no meio da cafeteria. Só se dão conta disso, quando ouve os aplausos e vivas.
Um olha para o outro e da um sorriso.
" Me leva daqui, então, e faz o que eu estou imaginando"- ela diz o beijando novamente.
"Não precisa pedir duas vezes"- ele pega sua mochila e depois na mão dela, e os dois saem deixando para trás mais aplausos e vivas.
Lisa Hallowey
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